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Mentalidade Imperturbável

Planeje como general, execute como soldado: por que sua equipe procrastina

Procrastinação não é preguiça nem falta de método. É negociação diária com a própria mente. O Major Ronald Cadar explica o mecanismo e o protocolo que corta a negociação.

Eu vi um sujeito falando de dez passos para vencer a procrastinação. O comentário que veio na hora foi: maneiro, depois eu vejo.

Todo mundo riu. Mas repara no que está acontecendo ali. O problema nunca foi falta de método. O cara tinha o método na tela, dez passos, tudo mastigado, e mesmo assim adiou. Se conteúdo resolvesse, a lista dos dez passos já teria resolvido.

Procrastinação é você adiar uma coisa que você não quer enfrentar. E quem te sabota não é a agenda, não é o excesso de reunião, não é a falta de tempo. É a tua mente, porque ela não quer enfrentar.

Por que a mente escolhe o pior desde que ele seja conhecido

A tua mente prefere infernos conhecidos. Ela prefere te manter numa vida ruim, e por mais que você saiba que a tua vida é uma merda, se você está sobrevivendo é sinal de que você suporta essa merda. Então ela fala: continua aqui. Lá fora você vai conquistar o mundo, mas é perigoso, você não sabe o que tem.

Esse é o mecanismo. A mente vai sempre fugir de tudo aquilo que deixa ela insegura. Ela não faz conta de resultado, ela faz conta de risco. E ela sempre vai encontrar um argumento razoável para você não começar hoje, porque o desconhecido é o único inimigo que ela reconhece.

Repara que isso não é fraqueza de caráter. É funcionamento normal. O que separa uma pessoa da outra não é ter ou não ter essa voz. É o que ela faz quando a voz aparece.

Decisão é escolha, não é sensação

Aqui está o ponto que quase ninguém entende, e é por isso que os dez passos não funcionam.

As pessoas querem ter confiança para poder fazer alguma coisa. Só que confiança vem de memória, e memória tem confiança por evidência. Logo, só existe confiança depois que você começa a fazer. Você começa a fazer e a tua mente vai falando: é possível, eu tenho confiança em fazer isso. Mas enquanto você não der o primeiro passo, você não vai fazer.

Quem espera se sentir pronto está esperando um efeito colateral da ação. Está esperando a chegada antes da partida.

Mas decisão é uma escolha. Você tem que escolher ir.

Planeje como general, execute como soldado

Eu criei uma analogia que resolve isso: você tem que planejar sua vida como general e executar como soldado.

O que é o general? O general pensou em tudo, decidiu tudo e deixou tudo pronto. O soldado só executa. Ele não fica pensando no plano, porque quem já fez isso foi o general.

O motivo dessa separação é técnico, não é poético. Na hora que você vai decidir alguma coisa sob pressão, com gente em cima de você cobrando, você decide errado. Decisão sob assédio é decisão ruim. Então a hora de planejar não é a hora de executar. Nunca.

E a hora de planejar tem protocolo. É o que o Major Edson me ensinou, cinco pontos:

  1. Estacione
  2. Sente-se
  3. Alimente-se
  4. Oriente-se
  5. Volte a navegar

Por que os cinco pontos? Porque isso vai te deixar sem ansiedade nenhuma. Você parou, se alimentou, está confortável, reorganizou o teu caminho. Aí sim você escolhe.

5 pontoso protocolo de planejamento que o Major Edson ensinou
4 e pouco da manhãa hora do banho frio, sem vontade, todo dia

E a hora que você escolheu andar, irmão, é ir até o final.

O erro que trava a empresa inteira: renegociar a decisão todo dia

Se você parar para negociar com a tua mente todo dia antes de fazer, você não vai fazer.

Isso vale para treino, vale para dieta e vale para projeto corporativo. Uma decisão que é reaberta toda segunda-feira não é uma decisão, é uma pauta. E pauta não entrega resultado.

Eu falo assim para os caras: não importa qual é a corda que você escolher. Para de enrolar a decisão, escolhe a corda e só solta quando chegar no topo. Está ruim, a cabeça está zoada, a sua mulher te largou, seja lá qual for o problema que está na cabeça. Meteu a mão numa corda, filho, é até chegar no topo. Só para quando chegar no topo. Só isso que resolve.

Repara que o critério não é qual corda. É não soltar. A maior parte das equipes não perde por ter escolhido a estratégia errada. Perde por trocar de corda no meio da subida, três vezes por trimestre, e nunca chegar em topo nenhum.

O que quase todo mundo faz

Esperar a confiança chegar
Não começa
Sem evidência nenhuma
Volta a esperar a confiança

O que funciona

Dá o primeiro passo
Gera evidência
Evidência vira memória
Memória vira confiança

Os dois são ciclo, e os dois se alimentam sozinhos. O da esquerda não tem saída porque está esperando a chegada antes da partida.

O teste do banho frio: um jeito de saber se você comanda o teu corpo

As pessoas chegam para mim e falam: eu não consigo fazer tal coisa.

Eu respondo o seguinte. Se você não consegue, é porque você não consegue controlar o seu corpo. Vai lá na frente do chuveiro, liga no frio, tem que ser banho frio, e só dá o passo. Se você conseguir dar esse passo, você controla o seu corpo. Então esse papo de eu não consigo é porque você não quer.

Eu tomo banho frio todo dia de manhã, antes de treinar. Quatro e pouco da manhã, sem vontade, sem estar feliz, com vontade de ficar na cama, minha mulher ali, meu filho do lado. Se eu parar para pensar, eu não entro. Você fica ali negociando, está gelado, e não entra.

E não é aquela história de que depois não foi tão ruim. É ruim. É sempre ruim. Mas você fez. Eu tomo o banho gelado, já fico irritado, e aí eu falo: agora eu vou ter que treinar, porque eu já estou nesse estado. É pico de cortisol trabalhando a meu favor.

Existe estudo sobre o choque térmico e a recompensa de endorfina depois. Mas não é por isso que eu faço. Eu faço pelo passo. O banho é só o lugar mais barato do dia para você provar que a sua mente não manda em você.

A objeção honesta: e o cara que critica em vez de fazer?

Alguém vai dizer que isso é papo de disciplina, que a vida real é mais complexa, que o problema é o contexto.

Existe uma hierarquia de dominância, e a gente passou por isso desde a escola. Existem dois jeitos de subir nela:

  • Construindo a sua posição. Se o assunto é violão, eu aprendo a tocar melhor violão do que os outros.
  • Falando mal de quem toca bem. Se eu diminuo você na hierarquia, eu não preciso crescer.

Tudo aquilo que constrói tem que ser virtuoso. Tudo aquilo que destrói tem que ser vicioso.

Então, se eu sou um procrastinador preguiçoso que nunca fez nada que me orgulhasse, para eu não admitir o que eu sou, eu preciso fazer você parecer pior. É mais fácil justificar em mim do que olhar para mim. Porque olhar para você mesmo e se acusar é atacar o ego. E a pessoa que nunca quer lutar tem ego ruim.

Isso não é moral da história. É diagnóstico de time. Quando a crítica no seu time cresce mais rápido que a entrega, você não tem um problema de comunicação. Você tem gente que descobriu que derrubar é mais barato que construir.

O que fazer com isso na segunda-feira

Três movimentos, na ordem:

  1. Separe o general do soldado. Marque uma janela de planejamento fora do calor da operação, com os cinco pontos: parar, sentar, se alimentar, se orientar, voltar a navegar. Decidir no meio da pressão é decidir errado.
  2. Feche a decisão e tire ela da pauta. Se a mesma decisão volta à mesa toda semana, ela nunca foi tomada. Escolha a corda e proíba a renegociação até o topo.
  3. Instale um passo diário que não admite negociação. Uma coisa pequena, difícil e inegociável, feita antes de a mente acordar para argumentar. Ela existe para provar comando, não para gerar resultado.

Confiança não vem antes. Vem da evidência que você acumula depois de dar o passo.

Se você não consegue abandonar tua vida antiga, você não consegue ter uma vida nova.

Se o problema não é o seu, é o do time

Um artigo mostra o mecanismo. Ele não instala a decisão dentro de uma equipe inteira que aprendeu a renegociar tudo todo dia.

Se a sua empresa está num ciclo em que o plano está pronto, a estratégia está clara e mesmo assim a execução não sai, o problema não é conteúdo. É comando. Eu levo para dentro da empresa a mesma lógica que aprendi em operação real: quem planeja, quando planeja, e o que muda quando a decisão já está tomada e só falta executar.

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As palavras, as cenas e os números deste texto são do Major Ronald Cadar, ditos por ele no vídeo indicado no início. Nada foi acrescentado.